Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Os gordos da minha terra

Todos eles são formosos

Andam bem arranjados

Mas nem assim são jeitosos

 

Gordura é formosura

Magreza é esquelética!

Qual será o meio termo

Para manter a ética

 

A gordura só faz mal

Ao nosso coração

Temos que voltar ao tempo

De estender a mão

 

Os gordos são gente alegre

E muito divertidos

Estão sempre à espera

De serem compreendidos

 

Não batam mais na gordura

Porque  os gordos sofrem de mais

Eles davam uns quilos de vontade

Nem que fosse aos animais

 

 

 

publicado por barroseira às 20:28

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Tudo voa nesta terra

Sem saber onde pousar

Há lugares apetecíveis

E alguns para criar

 

As rolinhas desta terra

Nada têm para mostrar!

Procuram algum poleiro

Para poder pernoitar

 

As rolinhas são muito sérias

E deixam os rolos inchados

O pior é com o tempo

Eles são ignorados

 

As rolinhas do pombal

Andam todas produzidas

Pena é que os rolinhos

As deixem desprotegidas

 

Não há rolos como dantes

Mas que machos que eles eram!

Os de agora já só dormem

Será que as rolinhas os esperam?

publicado por barroseira às 16:29


Tudo acontece na nossa terra.

Acontecem coisas na nossa terra que bradam aos céus. Ao tempo que nós chegámos! Nem o dinheiro que temos numa conta à ordem podemos levantar. Um cliente de uma instituição bancária da nossa praça, instituição essa das mais fiáveis que temos no país. Negou a um seu cliente o levantamento imediato de dez mil euros que tinha na sua conta à ordem. Informando o cliente que só podia levantar passados oito dias. Ao que nós chegámos, nem o dinheiro que é nosso podemos levantar, quando precisamos. Se a instituição não tinha esse dinheiro e o cliente não tinha cheques, penso que havia uma solução. Será que a dita instituição não podia passar um cheque sobre o país? Não sei se é assim que se diz. A dita instituição fez o cliente passar uma vergonha desnecessária. Meus amigos isto leva-nos a pensar cada vez mais, que temos  de voltar aos tempos antigos. Guardar o dinheiro em casa, debaixo do colchão, ou em algum buraco, porque assim podemos dispor dele quando necessitamos. Salvo se formos assaltados. Mas dado o que se está a passar no nosso país com os bancos, também podemos vir a ficar sem ele.

Ó tempo volta para trás, para ver se temos melhores dias!

publicado por barroseira às 10:53


Grandes tabuenses

 

Sempre houve grandes tabuenses ao longo da história do concelho de Tábua.

Todos são grandes tabuenses. Os nascidos no concelho e aqueles que não nasceram cá, mas radicaram-se na nossa terra. Na minha opinião, passaram a ser tabuenses aqueles que vieram para a nossa terra e construíram cá a sua vida. Criando empresas, comércios e serviços, bem como outras actividades.

Alguns desses tabuenses, não só se dedicaram ao seu trabalho, mas também colaboraram com algumas associações, o que contribui para o bem-estar de todos nós.

Estes não são “pára-quedistas” são gente de trabalho, demonstram-no em qualquer lado. Dos que eu falo é dos oportunistas, que se encostam a todos os lados, para conseguirem o seu bem-estar, sem nada dar em troca. Destes os tabuenses, não precisam cá deles.

Tábua sempre teve grandes tabuenses: vou enumerar alguns.

João Brandão, com toda a polémica que foi instalada em volta dessa figura, na época foi um grande tabuense. Dizia-se em 1963 no livro impresso para a divulgação de uma prova de perícia para Motos e Motorizadas o seguinte.

O julgamento de João Brandão em Tábua.

(Dentro de Tábua, poucas vezes voltará a afluir um tão grande número de pessoas, quer por obrigação legal de comparecer, quer pela curiosidade de assistir a um julgamento, como foi na hora em que decorreu o do famigerado e intrépido guerrilheiro das Beiras, João Brandão, que demorou desde o dia 31 de Maio de 1868 até 3 de Junho do mesmo ano.

São inúmeros oficiais e praças que vieram garantir a ordem e milhares de pessoas foram aboletadas por toda a parte.

Ia dar contas à justiça um homem que tendo sido acusado mas absolvido dos crimes de morte do Juiz de Midões e do ferreiro de Várzea, agora ia responder por ser o mandante da morte do Padre Portugal, que fora assassinado em Várzea de Candosa, casa do Visconde de Almeidinha, na noite de Sexta – feira Santa, do referido ano, quando, é certo, à mesma hora, o arguido João Brandão se encontrava em Avô, em casa de um amigo.

Por isso, o Município de Tábua e seus munícipes, por necessidade e para tão solene acto, dotaram a vila, com um Tribunal apropriado mas que não deu, mesmo assim, espaço para recolher tanta gente.

Às nove horas da manhã já estava constituído o tribunal. De beca preta, está sentado a presidir, o austero Juiz Dr. Manuel Celestino Emídio e, na bancada dos advogados, atento, está o arguto Dr. José Adolfo Tróni, com o seu assessor e vários colegas, que vão ver com «seus olhos, o homem extraordinário, que, por muitos anos, fora a esperança e apoio de alguns e o terror da província inteira».

Passa-se ao interrogatório do réu.

Acabado ele, seguem-se os debates, começando pelo Delegado do Ministério Público que, em certo passo afirmou: «O réu delineou e mandou executar o crime de latrocínio e roubo praticado na pessoa do padre José da Anunciação Portugal». Usou em seguida da palavra o advogado de defesa que, virando-se para os jurados continuou: «quereis a liberdade e segurança da província e desafronta do país e o decoro da justiça? Dai aos quesitos que vos vão ser propostos a decisão afirmativa que a voz geral proclama e que a justiça e a humanidade solicitam da vossa rectidão». E continuou: «por esse reino todo, João Brandão, é uma espécie de gigante em pé, nas montanhas da Beira». Analisa em seguida as acusações antecedentes formuladas e conclui: «deixai à história os Brandões de Midões! A ela pertence julgá-los. Vós daqui tendes unicamente um réu decorado sem provas de haver cometido um crime de que tenho por inocente. Não podereis condená-lo! E de certo o não condenareis». A fluência e argumentação do orador causaram forte impressão na sala.

O réu mantém-se altivo e senhor de si. Todavia, os quesitos foram aprovados por unanimidade e o Meritíssimo Juiz lavra a sentença: «…Por isso condeno o réu na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na África Oriental, e custas».

Em Tábua o julgamento empolgante terminara. Houve recurso. Todavia, jamais se apagará nos fastos da história desta vila.

Outro grande tabuense, José Teles Corte Real, o homem que mandou construir o edifício da Câmara, Martins Borges, o grande obreiro do hospital, Prof. José Oliveira Costa, delegado escolar durante vinte anos, também foi administrador do concelho de Tábua, durante o ano de 1927e 1928, sendo também presidente da Câmara etc.

Sarah Beirão, grande escritora tabuense, nascida na Quinta dos Freixos.

Vou transcrever a introdução feita em 1963 no livro da prova de perícia pela saudosa escritora e benemérita Sarah Beirão, sobre os grandes tabuenses.

«É sempre agradável fazer referências à nossa terra.

 O torrão, em que primeiro pousamos os olhos deslumbrados pelo panorama, que consideramos, geralmente, o melhor e mais belo do Mundo, nunca esquece…

É curioso constatar como sem pensarmos nisso, são sempre esses quadros de maravilha, os que recordamos com saudades ao afastarmo-nos deles.

O sonho de cada um é sempre ver progredir aterá em que nasceu e prosperar os seus filhos. O nosso maior desejo é ver subir os nossos conterrâneos.

Numa terra pequena o ideal de todos deve ser a harmonia. Banir as invejas. Quando a política impera é sempre uma fatalidade. Devemos ser solidários para conseguirmos o desenvolvimento do canto amado. Tábua merece a atenção de todos.

É útil e simpático elogiar os que trabalham exaustivamente para levantar o nível social do rincão adorado que os viu nascer.

Felizmente temos tido elementos que deixaram obras de tal grandeza que o seu nome esquecerá jamais…

Os paços do concelho grandiosa realização do Sr. José Teles Corte Real é um exemplo digno de admiração e que marca lugar de destaque nas páginas da história de Tábua.

A Associação Humanitária dos Bombeiros de Tábua foi criada pelo ilustre facultativo, Dr. António Oliveira Costa Júnior, pessoa inteligentíssima que institui essa prestimosa Associação com o benemérito fim de evitar cataclismos que enlutam a humanidade. Foi dos gestos mais edificantes que se registaram em Tábua. O Sr. Dr. Costa que há anos, numa carreira brilhantíssima tem erguido o seu nome a toda a altura com o seu saber profundo, com a sua bondade, salvando e melhorando o sofrimento alheio, tem jus à maior gratidão do público.

O hospital monumental é também digno de admiração e gratidão ao benemérito senhor Martins Borges que teve essa generosa ideia que heroicamente levou a cabo.

Há por vezes momentos de pausa em que a atmosfera se ensombra melancolizando a paisagem. É passageira essa fase. De novo a esperança clareia o ambiente e o sol volta a brilhar iluminando a terra. Tudo espera do novo Presidente da Câmara que com o seu dinamismo e inteligência vai dar um impulso forte â nossa querida região. O senhor José Oliveira e Costa é uma figura invulgar.

Trabalhador, enérgico e empreendedor, triunfou na vida e vai, igualmente triunfar na Câmara a que preside. Todos têm os olhos fitos nele, com a certeza de que, em breve será uma realidade o sonho de todos.

A sua obra vai dar anseio a que a Comarca volte para o seu lugar como é justo. Sabe-se o desastre que foi para a terra a perda da Comarca.

O senhor José Costa, presidente e empreendedor, mostrando a sua obra que será apreciada por todos, vai conseguir o que todos desejam.

Quando se nota o desenvolvimento de uma terra, os poderes supremos olham maravilhados e atendem as reclamações dos povos, que trabalham para bem de todos e para bem da Pátria.

Felicitemo-nos todos por feliz escolha do novo Presidente da Câmara, senhor José Oliveira Costa que saudamos entusiasticamente e que vai marcar a sua passagem na Câmara com obras importantes».

Sarah Beirão - Agosto de 1963

Depois de fazer uma reflexão por esta narrativa, apraz-me dizer, como esta escrita está tão actual!

E o que dizer do pai dos pobres? Do autêntico João Semana. O Senhor Dr. Costa júnior, grande médico que se radicou em Tábua e cá viveu até ao fim da sua vida. Grande médico, grande homem. Quem não se lembra das consultas para os pobres (gratuitas) das 9 às 10 horas. Quem não se lembra que podia ir ao consultório a qualquer hora do dia ou da noite, que era sempre atendido. Um grande tabuense, um bem feitor da população tabuense e dos concelhos vizinhos.

Depois do 25 de Abril apareceram outros tabuenses, que fizeram também muitas coisas pelo nosso concelho. O Eng.º Barata Portugal, grande obreiro do desenvolvimento da vila de Tábua, rasgando novas avenidas e com isso criando o desenvolvimento da vila.

O Eng.º Ivo Portela, outro tabuense que também tem feito muito pelo nosso concelho, basta ver as acessibilidades. Nestas coisas da política não se pode agradar a todos. Deus que foi Deus também não agradou a todos.

Faça-se uma reflexão sobre o que Sarah Beirão escreveu em 1963. Não deixem que a politica estrague o nosso concelho, unam-se em prol do desenvolvimento, para poder-mos ser grandes e para que tenhamos condições de vida na nossa terra. Só assim é que o nosso concelho irá para a frente.

 

 

 

 

 

 

publicado por barroseira às 10:48

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

 Cartas de amor

 

Cartas de amor

quem as não tem

eu as recebo

mas não sei de quem

 

O meu amor

que escreve bem

não se identifica

tem medo de quem?

 

Continua-me a escrever

palavras amorosas

não me farto delas 

mesmo mal cheirosas

 

O meu amor 

é muito louco!

pensa com estas palavras

me assustar um pouco?

 

Escreve, escreve

conta as tuas mágoas

não tenhas medo

de perder as águas

 

Não me fales em desgraças

porque eu já me preveni...

contra a inveja, mau olhado, e dor de cotovelo

e a mais coisas, que me secorri.

 

 

publicado por barroseira às 19:10

Sábado, 01 de Agosto de 2009

A história da formiga e da cigarra continua muito presente na vida dos portugueses. A cigarra sempre fez uma vida regalada, só cantava e passeava, vivendo na maior, não se preocupando com o trabalho. A formiga, sempre a trabalhar, amealhando no Verão, para depois comer no Inverno. Passado algum tempo, a vida boa da cigarra acabou, faltou o comer e tinha fome. Teve que ir pedir alguma coisa para comer. Então dirigiu-se à formiga, dizendo que tinha fome, se ela lhe dava alguma coisa para comer. A formiga respondeu-lhe... que andaste a fazer todo o verão? A cigarra disse, andei a cantar cantiguinhas, às ceifadeiras do pão! Então agora vai para casa e come um (cagaaa...ão). Na vida actual acontece o mesmo. Enquanto uns trabalham e poupam, evitando compras supérfluas, porque o vencimento não dá para isso. Outros fazem uma vida à larga, descansada, sem preocupações. Compram tudo o que lhe apetece. E então dizem, a quem eu dever que espere e quem me deve que me pague. A cigarra tinha uma inveja grande da formiga, porque esta tinha a casa cheia, não lhe faltando nada. Actualmente acontece que, muitos têm inveja das coisas que os outros têm. Esquecendo-se do trabalho que essas pessoas tiveram para ter essas mesmas coisas. Privando-se muitas vezes de idas aos restaurantes, pastelarias, prontos a vestir etc. Em conclusão: como é que a cigarra queria ter as coisas se não trabalhou? Passou a vida a cantar e a descansar, enquanto a formiga trabalhava.Hoje acontece o mesmo, as formigas continuam a trabalhar, para terem uma vida melhor, poupando, poupando. Só gastando nas coisas necessárias. As cigarras continuam com a sua vida à grande, sem se privar de nada. Depois querem ter que comer?

publicado por barroseira às 17:34