Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Grandes tabuenses

 

Sempre houve grandes tabuenses ao longo da história do concelho de Tábua.

Todos são grandes tabuenses. Os nascidos no concelho e aqueles que não nasceram cá, mas radicaram-se na nossa terra. Na minha opinião, passaram a ser tabuenses aqueles que vieram para a nossa terra e construíram cá a sua vida. Criando empresas, comércios e serviços, bem como outras actividades.

Alguns desses tabuenses, não só se dedicaram ao seu trabalho, mas também colaboraram com algumas associações, o que contribui para o bem-estar de todos nós.

Estes não são “pára-quedistas” são gente de trabalho, demonstram-no em qualquer lado. Dos que eu falo é dos oportunistas, que se encostam a todos os lados, para conseguirem o seu bem-estar, sem nada dar em troca. Destes os tabuenses, não precisam cá deles.

Tábua sempre teve grandes tabuenses: vou enumerar alguns.

João Brandão, com toda a polémica que foi instalada em volta dessa figura, na época foi um grande tabuense. Dizia-se em 1963 no livro impresso para a divulgação de uma prova de perícia para Motos e Motorizadas o seguinte.

O julgamento de João Brandão em Tábua.

(Dentro de Tábua, poucas vezes voltará a afluir um tão grande número de pessoas, quer por obrigação legal de comparecer, quer pela curiosidade de assistir a um julgamento, como foi na hora em que decorreu o do famigerado e intrépido guerrilheiro das Beiras, João Brandão, que demorou desde o dia 31 de Maio de 1868 até 3 de Junho do mesmo ano.

São inúmeros oficiais e praças que vieram garantir a ordem e milhares de pessoas foram aboletadas por toda a parte.

Ia dar contas à justiça um homem que tendo sido acusado mas absolvido dos crimes de morte do Juiz de Midões e do ferreiro de Várzea, agora ia responder por ser o mandante da morte do Padre Portugal, que fora assassinado em Várzea de Candosa, casa do Visconde de Almeidinha, na noite de Sexta – feira Santa, do referido ano, quando, é certo, à mesma hora, o arguido João Brandão se encontrava em Avô, em casa de um amigo.

Por isso, o Município de Tábua e seus munícipes, por necessidade e para tão solene acto, dotaram a vila, com um Tribunal apropriado mas que não deu, mesmo assim, espaço para recolher tanta gente.

Às nove horas da manhã já estava constituído o tribunal. De beca preta, está sentado a presidir, o austero Juiz Dr. Manuel Celestino Emídio e, na bancada dos advogados, atento, está o arguto Dr. José Adolfo Tróni, com o seu assessor e vários colegas, que vão ver com «seus olhos, o homem extraordinário, que, por muitos anos, fora a esperança e apoio de alguns e o terror da província inteira».

Passa-se ao interrogatório do réu.

Acabado ele, seguem-se os debates, começando pelo Delegado do Ministério Público que, em certo passo afirmou: «O réu delineou e mandou executar o crime de latrocínio e roubo praticado na pessoa do padre José da Anunciação Portugal». Usou em seguida da palavra o advogado de defesa que, virando-se para os jurados continuou: «quereis a liberdade e segurança da província e desafronta do país e o decoro da justiça? Dai aos quesitos que vos vão ser propostos a decisão afirmativa que a voz geral proclama e que a justiça e a humanidade solicitam da vossa rectidão». E continuou: «por esse reino todo, João Brandão, é uma espécie de gigante em pé, nas montanhas da Beira». Analisa em seguida as acusações antecedentes formuladas e conclui: «deixai à história os Brandões de Midões! A ela pertence julgá-los. Vós daqui tendes unicamente um réu decorado sem provas de haver cometido um crime de que tenho por inocente. Não podereis condená-lo! E de certo o não condenareis». A fluência e argumentação do orador causaram forte impressão na sala.

O réu mantém-se altivo e senhor de si. Todavia, os quesitos foram aprovados por unanimidade e o Meritíssimo Juiz lavra a sentença: «…Por isso condeno o réu na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na África Oriental, e custas».

Em Tábua o julgamento empolgante terminara. Houve recurso. Todavia, jamais se apagará nos fastos da história desta vila.

Outro grande tabuense, José Teles Corte Real, o homem que mandou construir o edifício da Câmara, Martins Borges, o grande obreiro do hospital, Prof. José Oliveira Costa, delegado escolar durante vinte anos, também foi administrador do concelho de Tábua, durante o ano de 1927e 1928, sendo também presidente da Câmara etc.

Sarah Beirão, grande escritora tabuense, nascida na Quinta dos Freixos.

Vou transcrever a introdução feita em 1963 no livro da prova de perícia pela saudosa escritora e benemérita Sarah Beirão, sobre os grandes tabuenses.

«É sempre agradável fazer referências à nossa terra.

 O torrão, em que primeiro pousamos os olhos deslumbrados pelo panorama, que consideramos, geralmente, o melhor e mais belo do Mundo, nunca esquece…

É curioso constatar como sem pensarmos nisso, são sempre esses quadros de maravilha, os que recordamos com saudades ao afastarmo-nos deles.

O sonho de cada um é sempre ver progredir aterá em que nasceu e prosperar os seus filhos. O nosso maior desejo é ver subir os nossos conterrâneos.

Numa terra pequena o ideal de todos deve ser a harmonia. Banir as invejas. Quando a política impera é sempre uma fatalidade. Devemos ser solidários para conseguirmos o desenvolvimento do canto amado. Tábua merece a atenção de todos.

É útil e simpático elogiar os que trabalham exaustivamente para levantar o nível social do rincão adorado que os viu nascer.

Felizmente temos tido elementos que deixaram obras de tal grandeza que o seu nome esquecerá jamais…

Os paços do concelho grandiosa realização do Sr. José Teles Corte Real é um exemplo digno de admiração e que marca lugar de destaque nas páginas da história de Tábua.

A Associação Humanitária dos Bombeiros de Tábua foi criada pelo ilustre facultativo, Dr. António Oliveira Costa Júnior, pessoa inteligentíssima que institui essa prestimosa Associação com o benemérito fim de evitar cataclismos que enlutam a humanidade. Foi dos gestos mais edificantes que se registaram em Tábua. O Sr. Dr. Costa que há anos, numa carreira brilhantíssima tem erguido o seu nome a toda a altura com o seu saber profundo, com a sua bondade, salvando e melhorando o sofrimento alheio, tem jus à maior gratidão do público.

O hospital monumental é também digno de admiração e gratidão ao benemérito senhor Martins Borges que teve essa generosa ideia que heroicamente levou a cabo.

Há por vezes momentos de pausa em que a atmosfera se ensombra melancolizando a paisagem. É passageira essa fase. De novo a esperança clareia o ambiente e o sol volta a brilhar iluminando a terra. Tudo espera do novo Presidente da Câmara que com o seu dinamismo e inteligência vai dar um impulso forte â nossa querida região. O senhor José Oliveira e Costa é uma figura invulgar.

Trabalhador, enérgico e empreendedor, triunfou na vida e vai, igualmente triunfar na Câmara a que preside. Todos têm os olhos fitos nele, com a certeza de que, em breve será uma realidade o sonho de todos.

A sua obra vai dar anseio a que a Comarca volte para o seu lugar como é justo. Sabe-se o desastre que foi para a terra a perda da Comarca.

O senhor José Costa, presidente e empreendedor, mostrando a sua obra que será apreciada por todos, vai conseguir o que todos desejam.

Quando se nota o desenvolvimento de uma terra, os poderes supremos olham maravilhados e atendem as reclamações dos povos, que trabalham para bem de todos e para bem da Pátria.

Felicitemo-nos todos por feliz escolha do novo Presidente da Câmara, senhor José Oliveira Costa que saudamos entusiasticamente e que vai marcar a sua passagem na Câmara com obras importantes».

Sarah Beirão - Agosto de 1963

Depois de fazer uma reflexão por esta narrativa, apraz-me dizer, como esta escrita está tão actual!

E o que dizer do pai dos pobres? Do autêntico João Semana. O Senhor Dr. Costa júnior, grande médico que se radicou em Tábua e cá viveu até ao fim da sua vida. Grande médico, grande homem. Quem não se lembra das consultas para os pobres (gratuitas) das 9 às 10 horas. Quem não se lembra que podia ir ao consultório a qualquer hora do dia ou da noite, que era sempre atendido. Um grande tabuense, um bem feitor da população tabuense e dos concelhos vizinhos.

Depois do 25 de Abril apareceram outros tabuenses, que fizeram também muitas coisas pelo nosso concelho. O Eng.º Barata Portugal, grande obreiro do desenvolvimento da vila de Tábua, rasgando novas avenidas e com isso criando o desenvolvimento da vila.

O Eng.º Ivo Portela, outro tabuense que também tem feito muito pelo nosso concelho, basta ver as acessibilidades. Nestas coisas da política não se pode agradar a todos. Deus que foi Deus também não agradou a todos.

Faça-se uma reflexão sobre o que Sarah Beirão escreveu em 1963. Não deixem que a politica estrague o nosso concelho, unam-se em prol do desenvolvimento, para poder-mos ser grandes e para que tenhamos condições de vida na nossa terra. Só assim é que o nosso concelho irá para a frente.

 

 

 

 

 

 

publicado por barroseira às 10:48