Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

 

O que uma simples carta – nos pode obrigar a uma determinada reflexão.

Ao ler a carta de José Saramago para sua avó Josefa, faz-me pensar como a vida é bela neste Mundo próprio, onde cada um o pode analisar à sua maneira.

A sua avó era uma mulher do campo, nascida e criada na sua aldeia. Sempre na labuta da terra e da vida de casa. Por ser essa a vida dela, não a tornava infeliz, pelo contrário, era nessa mesma vida que se sentia feliz. Apesar de não conhecer nada do Mundo, mas era feliz. Era na sua terra, que gostava de estar, «mesmo carregando toneladas de lenha e amassando alqueires de farinha de milho, criando bácoros, até na própria cama, para não morrerem gelados».

Não sabendo nada do Mundo, de política, economia, literatura, filosofia, nem de religião. Herdou umas centenas de palavras práticas, um verdadeiro vocabulário elementar. Foi com isto tudo que conseguiu viver.

É uma pessoa sensível a tudo o que a rodeia. Para ela não lhe diz nada, a palavra Vietname, ou Afeganistão, tornando-se apenas num som bárbaro.

O autor desta narrativa diz «vieste a este Mundo e não curaste de saber o que é o Mundo. Chegas ao fim da vida e o Mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste».

Porque foi que roubaram o Mundo a esta senhora? Quem lho roubou? Concertesa viveu melhor longe dos problemas do Mundo, que estando a par deles.

O narrador sente-se frustrado por não ter dado a devida atenção à sua avó, ensinando-lhe as palavras dele. A avó não sabendo nada do Mundo - desabafa estas palavras «O Mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer» O Mundo era bonito para ela, porque foi neste Mundo dela que foi feliz.

Esta carta de José Saramago para a avó, demonstra que vale mais preocuparmo-nos com a nossa vida, do que com os problemas do Mundo, porque é assim que nos sentimos felizes. Como nos tornamos infelizes com os problemas dos outros, mais vale não se saber nada do Mundo.

Neste Mundo em que as pessoas só vêm números e pensam só em coisas grandes, esquecendo-se das pequenas e essas por vezes são mais importantes.

A avó de José Saramago, não se importou das suas origens, mesmo sendo humildes, mas não foi por isso que se sentiu infeliz.

Estes exemplos servem para abrir certas mentes, de pessoas cobardes, que não são capazes de dar a cara.

Esquecem-se depressa das suas origens, têm vergonha de ter nascido pobres, mas isso não é desprezo nenhum. Algumas pessoas que eu bem conheço, já não se lembram daquilo que foram e da miséria que passaram. Agora que são os novos-ricos, já pensam que são importantes, mas só o são, para quem lhe dá essa importância e pelo que eu vejo não são muitas pessoas. Vão morrer como os outros e por vezes ainda mais abandonados do que muitas das pessoas humildes.

Eu não tenho vergonha de dizer que sou filho de gente pobre e que a minha infância foi passada com muita miséria. Isso não me torna numa pessoa diferente das outras.

O povo nunca se engana e tem os seus ditados. Este que eu vou dizer adequa-se muito bem a certas pessoas de memória curta. Quem nunca teve nada, a (merda) sabe-lhe a marmelada.

Cuidado porque por vezes as grandezas dão em, separações fictícias, para não ficarem na miséria.

 

publicado por barroseira às 14:44